Copa e zona de pausa: entre a bica da esquina e o almoço em equipa

O café a meio da manhã, a marmita ao meio-dia e meia, o bolo de aniversário e a conversa que se resolve junto à máquina: a copa pensada como o centro social do escritório, com o mesmo cuidado que a sala da administração.

A copa de um escritório português concorre com o café da esquina, e durante muitos anos perdeu. Descer para a bica a meio da manhã, comer o prato do dia na tasca ao lado, voltar a descer às quatro – o ritual da rua é forte, e a copa era um canto com um micro-ondas, um frigorífico e duas mesas onde se comia depressa e se voltava para a secretária. Isso mudou: com o regime híbrido, com escritórios em zonas onde a rua tem menos oferta e com equipas que valorizam almoçar juntas, a copa passou a ser o espaço onde a cultura da empresa acontece – o café das onze, a marmita aquecida ao meio-dia e meia, o bolo de aniversário, as conversas junto à máquina em que se resolve mais do que em muitas reuniões. As empresas que perceberam isto, primeiro nas tecnológicas e nos centros de serviços, hoje em muitos sectores, decoram a copa com a mesma atenção que a recepção e usam-na como argumento de recrutamento.

A copa projecta-se para o pico entre o meio-dia e meia e as duas, não para a média de pessoas na sala. Isso significa mesas que recebam a maioria dos presentes ao mesmo tempo, frigoríficos e micro-ondas dimensionados para marmitas e não para um pacote de leite, uma máquina de café que não crie fila, máquina de lavar loiça e separação de resíduos no caminho para a saída, e uma acústica que permita conversar com o vizinho quando quarenta pessoas comem na mesma sala. Fora do almoço, a mesma sala tem de funcionar como ponto de encontro informal para dois, como sítio para a conversa de pé junto à máquina e como o canto onde um colaborador se senta com o portátil e um café sem estorvar ninguém. A localização no escritório decide o sucesso: perto do open space para ser usada, longe das zonas de concentração para não perturbar, e com luz natural sempre que a planta o permita.

A La Mercanti equipa copas, zonas de pausa e refeitórios de empresa com mesas, cadeiras e superfícies italianas que aguentam o uso diário por muitas pessoas e continuam convidativas ao fim de três anos. Diga-nos quantas pessoas comem ao mesmo tempo, se há serviço de refeições e onde a sala fica no escritório – propomos uma decoração que aguenta o almoço e a sexta-feira à tarde.

Perguntas Frequentes

Que dimensão deve ter a copa quando a maior parte da empresa almoça entre o meio-dia e meia e as duas?

Conte com 60 a 70 por cento dos presentes sentados ao mesmo tempo no pico, e dê a cada um cerca de 1,2 metros quadrados à mesa, mais espaço para frigoríficos, micro-ondas, café, lavagem e circulação. Para uma empresa com 60 pessoas no escritório, isso significa uma sala de 55 a 70 metros quadrados, se o almoço tiver de decorrer sem fila e sem ninguém a comer de pé. É mais do que os projectos costumam reservar em Portugal, e é por isso que em muitas empresas o almoço se espalha pelo open space, com migalhas nos teclados. Se a área não existir, é melhor desenhar a copa de modo a abrir-se para uma zona contígua – um lounge, uma sala de projecto – que empreste mesas ao almoço e funcione sozinha o resto do dia, do que aceitar uma sala pequena de mais todos os dias à uma. A legislação fixa mínimos para o local de refeições; o mínimo não é um sítio a que se volte com gosto.

Marmita de casa ou serviço de refeições – o que muda na decoração?

Tudo, e a decisão tem de ser tomada antes do desenho. Uma empresa onde as pessoas trazem almoço de casa precisa de frigoríficos dimensionados para toda a gente pôr uma marmita às nove, de micro-ondas suficientes para a fila desaparecer em cinco minutos, de bancada ao lado dos micro-ondas para pousar a marmita, de uma máquina de lavar loiça que se esvazia e enche sem ficar no caminho e de lugares à mesa para todos ao mesmo tempo. Uma empresa com refeições entregues ou com bufete precisa de um ponto de serviço com dois sentidos de circulação, de espaço para as caixas e de um pavimento que aguente derrames. Muitas empresas portuguesas estão no meio: refeição servida nos dias cheios, marmita nos outros, e a sala tem de servir os dois modelos sem parecer um refeitório fechado. As bancadas e os tampos são o mobiliário mais castigado de todo o escritório e escolhem-se em função disso, seja qual for o modelo. A separação de resíduos com fracções claras é hoje um dado adquirido, e a sua falta nota-se no primeiro dia.

O que exige a acústica de uma sala onde quarenta pessoas comem e falam ao mesmo tempo?

Mais do que qualquer outra sala do escritório. Uma copa de superfícies duras – azulejo, vidro, aço – com quarenta pessoas a falar atinge um nível de ruído em que todos levantam a voz para se fazerem ouvir, e o almoço torna-se cansativo em vez de repousante. Ajudam as superfícies absorventes no tecto e em pelo menos duas paredes, mesas em grupos em vez de uma fila comprida, para que as conversas se mantenham pequenas, e cadeiras com assento ou encosto estofado. O pavimento numa sala com comida raramente absorve, pelo que tecto e paredes têm de assumir toda a tarefa. A localização é a outra metade da acústica: uma copa aberta directamente para o open space manda o ruído do almoço para quem está a trabalhar, e uma sala ao fundo do corredor não é usada. A solução é uma zona intermédia – um lounge, um vestíbulo – que recolhe o som.

A máquina de café deve ficar na copa ou no open space?

Na copa, ou mesmo à entrada dela, nunca no meio do open space. A máquina de café é o ponto mais visitado de um escritório português e junta pessoas que conversam dois a cinco minutos enquanto esperam. No open space, essas conversas viram ruído para as secretárias mais próximas; na copa, viram o encontro informal para que a sala existe. O lugar tem de permitir que três ou quatro pessoas estejam de pé a falar sem bloquear a seguinte, com uma pequena bancada para a chávena e recipientes para cápsulas e borras. Uma mesa alta ao lado torna natural fazer ali a conversa rápida de pé, em vez de reservar uma sala. Em edifícios com vários pisos, uma máquina por piso junto à copa funciona melhor do que uma grande no rés-do-chão a que ninguém desce – e a fila das onze desaparece. E se a máquina for boa, menos gente desce à rua para a bica, e a empresa ganha a conversa que se teria perdido no café da esquina.

Como usar a copa o resto do dia, fora da hora de almoço?

Como a sala mais flexível do escritório, se estiver decorada para isso. Das nove ao meio-dia e das duas às seis, a copa é o lugar da conversa rápida junto à máquina, do trabalho com portátil fora da secretária, da conversa informal entre dois colegas e do bolo de sexta-feira que junta o piso inteiro. Isso exige que nem todas as mesas sejam mesas grandes de almoço: uma mistura de mesas para quatro a seis, algumas mesas altas e um canto com duas poltronas dá à sala várias caras. Tomadas em algumas mesas permitem trabalhar ali uma hora. A iluminação deve poder baixar-se à tarde, e um ecrã na parede torna a sala útil para as reuniões gerais. Uma copa usada meia hora por dia é um metro caro; usada o dia inteiro, é o melhor investimento do escritório.

Como manter a copa em ordem quando 60 pessoas a usam todos os dias?

Decorando-a de modo a que arrumar seja mais fácil do que deixar ficar. A máquina de lavar loiça fica onde se passa naturalmente com o prato e a chávena, com a zona de desocupar e a separação de resíduos ao lado, para que fazer o certo demore dez segundos. Frigoríficos com divisão clara, um sítio para marmitas de casa e outro para restos do serviço evitam que as coisas fiquem esquecidas até cheirarem. As superfícies têm de ser fáceis de limpar e aguentar a limpeza, e os materiais porosos evitam-se na bancada. Armários fechados para loiça, café e guardanapos mantêm os tampos livres. Por fim, combina-se quem é responsável depois do almoço – na maioria das empresas portuguesas funciona uma escala rotativa, e uma escala visível na sala funciona melhor do que um e-mail. Uma sala desenhada para uso intenso exige menos disciplina do que uma desenhada para o dia da inauguração.

Como decorar a copa e a zona de pausa em cinco passos: do almoço à uma até à sexta-feira à tarde

Para quem planeia a copa de uma empresa – responsável de escritório, gestor de instalações ou arquitecto. Cinco passos que partem do modo como o escritório de facto almoça e faz pausa, e acabam numa sala usada desde o café da manhã até ao bolo de sexta-feira.

Conte o almoço e mapeie as pausas de uma semana típica

Anote durante uma semana quantas pessoas comem ao mesmo tempo entre o meio-dia e meia e as duas, se a comida vem de casa ou de um serviço, quantas comem à secretária, quantas descem à rua e onde se vai buscar o café. Registe também os encontros informais: onde surgem, quanto duram e se incomodam alguém. Esses números – e não o número de colaboradores na folha de salários – decidem a dimensão da sala, o número de lugares, o número de frigoríficos e micro-ondas e o lugar da máquina de café. Pergunte ao mesmo tempo aos colaboradores o que lhes falta; a resposta é quase sempre espaço, silêncio e um sítio decente para se sentarem.

Coloque a sala entre o open space e o silêncio, com luz natural se possível

Escolha uma localização suficientemente próxima dos postos para que a sala seja usada fora do almoço, e suficientemente separada para que o ruído do almoço não chegue às zonas de concentração. Uma zona intermédia – um vestíbulo, um lounge, um corredor largo com mesas altas – recolhe o som e dá ao mesmo tempo um sítio para a conversa rápida. Dê prioridade à luz natural: uma copa sem janela torna-se um sítio onde se come depressa e se sai, e em Dezembro a janela é o que transforma o almoço numa pausa. Coloque a máquina de café à entrada da sala, para que junte as pessoas sem as levar pelo meio do almoço.

Dimensione frigoríficos, micro-ondas e café para o pico, não para a média

Conte as marmitas numa terça-feira de Fevereiro, quando toda a gente está no escritório, e dimensione os frigoríficos por aí. Ponha micro-ondas suficientes para a fila da uma desaparecer em cinco minutos, com bancada ao lado. Coloque lavagem, desocupação e separação de resíduos numa zona própria no caminho para a saída, invisível das mesas. Escolha bancadas que aguentem recipientes quentes, derrames e limpeza diária, e armários fechados para loiça e café, para que as mesas fiquem livres. A máquina de café tem bancada própria com lugar para três pessoas à espera, um recipiente para cápsulas e outro para borras. Com serviço de refeições: dois sentidos de circulação no ponto de serviço e um pavimento que aguente carrinhos e derrames.

Escolha mesas, cadeiras e acústica para o pico e dê à sala várias caras

Dimensione os lugares sentados para 60 a 70 por cento dos presentes ao mesmo tempo, em grupos de quatro a seis em vez de uma fila comprida, para que as conversas se mantenham pequenas. Complete com mesas altas e um canto com poltronas, para que a sala funcione o resto do dia. Escolha cadeiras que aguentem uso frequente e se limpem com um pano, e mesas com bordos que a limpeza diária não estrague. Trate o tecto e pelo menos duas paredes acusticamente, porque o pavimento não pode; exija coeficientes de absorção documentados. Leve tomadas a algumas mesas e planeie uma iluminação que se possa baixar à tarde.

Rode a sala durante duas semanas e fixe as regras com quem a usa

Abra a sala sem cerimónia e observe as duas primeiras semanas: onde se forma fila, onde se acumula a loiça, que mesas não são usadas, onde as pessoas ficam de pé a falar. Corrija a disposição com base nisso. Fixe depois, com os colaboradores, quem arruma depois do almoço, como se esvaziam os frigoríficos à sexta-feira e onde se separam cápsulas e resíduos, e afixe a escala num sítio visível. Uma copa decorada segundo o modo como o escritório realmente faz pausa precisa de poucas regras; uma decorada segundo um desenho precisa de muitas, e nenhuma é cumprida.