Casa de banho de direcção e de visitas: o espaço avaliado a sós

Torneira, lavatório, móvel e superfícies de design italiano para o espaço onde o visitante fica sozinho com o seu juízo – acessível a todos e pensado para a limpeza das cinco da tarde.

Há uma divisão em cada empresa portuguesa que ninguém mostra na visita guiada e que todos os visitantes avaliam: a casa de banho. Aí o cliente, o candidato ou o administrador não executivo fica dois minutos sozinho, sem anfitrião, sem apresentação e sem a cortesia que normalmente filtra as impressões. O que vê – a precisão da torneira, o material do lavatório, se o sabonete está reposto, se há cheiro – confirma ou desmente tudo o que a recepção e a sala de reuniões acabaram de dizer. Nos edifícios de escritórios portugueses, o acabamento de origem trata em geral do funcional: a casa de banho está limpa, funciona, cumpre a legislação. Falta muitas vezes o último terço: a ligação ao resto do escritório, materiais que pareçam o resto do escritório, e uma luz em que ninguém pareça doente ao espelho antes de uma reunião importante.

A casa de banho de direcção e a de visitas projectam-se como um sistema: lavatório, torneira, móvel, espelho, luz e superfícies escolhidos uns em função dos outros e do escritório. O design italiano traz exactamente o que o acabamento de origem não dá: uma torneira com peso na mão, um lavatório com profundidade de material, um móvel com proporções certas numa divisão pequena. Não é decoração – são os três ou quatro objectos em que o visitante realmente toca. Ao mesmo tempo, o espaço tem de aguentar o uso português: limpeza várias vezes ao dia, água calcária que deixa marcas em tudo o que brilha em boa parte do país, acessibilidade com apoios e área de manobra livre, ventilação numa divisão sem janela, e um pavimento que resista à água da chuva trazida nos sapatos. Uma casa de banho que fica bem no dia da inauguração e gasta ao fim de dois Invernos falhou.

A La Mercanti fornece colecções italianas de torneiras, louças e móveis de casa de banho, desenvolvidas como sistemas coerentes, com acabamentos coordenados e materiais seleccionados para uso profissional intensivo, e decora casas de banho de direcção e de visitas como prolongamento do resto do escritório. Envie-nos uma planta com esgotos e ligações – propomos uma solução que mantém o nível durante dez anos.

Inspirações

Perguntas Frequentes

Porque é que a casa de banho decide tanto da impressão, se o visitante a vê durante tão pouco tempo?

Porque é a única divisão onde o visitante está sozinho e, portanto, o único sítio onde a impressão não é filtrada pela cortesia. Na recepção e na sala há um anfitrião, um café e uma ordem de trabalhos que ocupam a atenção. Na casa de banho há só a divisão. Uma torneira solta, um lavatório com calcário, uma luz que acinzenta a pele, uma porta que não fecha bem – cada pormenor é lido como uma afirmação sobre o modo como a empresa trata o que ninguém controla. Ao contrário, uma casa de banho nos mesmos materiais e com o mesmo cuidado do resto do escritório diz que o padrão não acaba à porta da sala de reuniões. Nas empresas portuguesas, onde o visitante raramente encontra noutro sítio uma impressão de luxo, é muitas vezes esta divisão que distingue as empresas que levam o pormenor a sério das que não o fazem – e um cliente alemão ou nórdico repara nisso antes de assinar, não depois.

Que requisitos de acessibilidade se aplicam às casas de banho dos escritórios portugueses, e como conciliá-los com o design?

A legislação portuguesa sobre acessibilidade exige instalações sanitárias acessíveis nos edifícios de serviços e de atendimento ao público, e os requisitos são de espaço e de manobra: área livre de rotação, distâncias da sanita à parede, barras de apoio, largura da porta, alturas de montagem e contrastes. Os requisitos são absolutos, mas não dizem nada sobre o aspecto, e é aí que a maioria dos projectos falha: uma casa de banho acessível em aço branco ao lado de uma bonita casa de banho de visitas diz ao visitante que a acessibilidade foi uma obrigação. Os fabricantes italianos fornecem barras, torneiras e louças em séries desenhadas para combinar, para que a casa de banho acessível se pareça com as restantes do escritório e não com uma divisão acrescentada por dever. Resolva-o na planta antes de passar as tubagens, porque o esgoto e o sentido de abertura da porta decidem se as medidas batem certo sem obras. Uma casa de banho acessível que é bonita é, em Portugal, um sinal ainda raro – e por isso lembrado.

Como lidar com o calcário e as marcas, com a água dura de boa parte do país?

Escolhendo as superfícies pelo uso e não pela fotografia. Em muitas zonas de Portugal a água é dura, e o cromado brilhante, o vidro escuro e a pedra polida mostram calcário em dias se não forem secos depois de cada utilização – o que numa casa de banho de visitas ninguém faz. Acabamentos escovados ou mate nas torneiras, lavatórios em materiais onde o calcário não se nota, e móveis com núcleo resistente à humidade e bordos sem juntas visíveis mantêm-se apresentáveis entre limpezas. O pavimento tem de aguentar água e lavagem diária sem perder brilho nem cor; as juntas devem ser poucas e escuras o suficiente para não mostrar desgaste. Escolha ferragens e puxadores que se possam apertar e substituir, e exija ao fabricante por escrito a lista de peças de substituição – cartuchos, sensores, dobradiças, calhas – com o prazo de disponibilidade. Uma casa de banho escolhida pelo uso parece, ao fim de dois anos, ter duas semanas; escolhida pela fotografia, parece ter dez.

Que iluminação deve ter uma casa de banho de visitas, e porque está tantas vezes errada?

Três camadas: uma geral que não encandeie; uma ao espelho que ilumine o rosto de lado ou de frente, à altura dos olhos, e não de cima; e uma baixa e quente que dê profundidade à divisão. Está errada na maioria das casas de banho de escritório portuguesas porque o acabamento de origem dá uma única armadura plana no tecto, que projecta sombras sob os olhos e acinzenta a pele ao espelho – e o visitante que se compõe antes de uma reunião importante lembra-se disso. A luz ao espelho deve ter uma temperatura de cor coerente com o resto do escritório, para não se sair de uma divisão fria para uma quente. Um sensor que acende a luz ao abrir a porta e uma luz que baixa fora do horário de trabalho mantêm em ordem o funcionamento e a impressão. A iluminação é o elemento mais barato da divisão e o que mais vezes decide se ela é lida como cuidada ou apenas funcional.

Como escolher torneira, lavatório e móvel para que combinem entre si e com o resto do escritório?

Como um sistema da mesma linguagem de projecto, com pelo menos um material repetido do resto do escritório. O erro mais comum é escolher uma torneira bonita de um catálogo, um lavatório de outro e um móvel de um terceiro, e descobrir depois que as proporções e os acabamentos não falam entre si: a bica da torneira fica mal em relação ao lavatório, a profundidade do móvel não cabe na divisão, o acabamento dos puxadores é outro que não o da torneira. As colecções italianas são desenvolvidas para que lavatório, torneira, móvel e acessórios tenham as mesmas famílias de acabamento e a mesma lógica, o que simplifica a escolha e serena o resultado. Depois, liga-se a divisão ao escritório: se o open space tem carvalho e superfícies cinzentas escuras, a casa de banho pode continuar ambos noutro formato; se a recepção tem pedra, o tampo da casa de banho pode responder. A casa de banho torna-se então um prolongamento do escritório, e não uma divisão que veio no acabamento de origem.

A casa de banho privativa do director deve ser decorada de forma diferente da de visitas?

Sim, porque o uso é outro: diário, pela mesma pessoa, muitas vezes para mudar de roupa e refrescar-se entre duas reuniões ou depois de vir de bicicleta. Isso exige mais arrumação, melhor luz ao espelho para uso quotidiano, uma prateleira ou um armário para objectos pessoais e, de preferência, um espelho maior. A casa de banho de visitas é usada brevemente por muitas pessoas diferentes e tem de dar prioridade à primeira impressão, à robustez e a uma simplicidade que não precise de instruções. Se houver uma só divisão para as duas funções, como em muitas empresas portuguesas, segue-se a lógica da casa de banho de visitas no que está à vista – materiais, torneira, luz – com arrumação fechada e discreta para o utilizador diário. As duas divisões devem pertencer à mesma família de materiais do resto do escritório, para que um visitante que use a casa de banho do director durante uma reunião do conselho não fique com uma impressão da empresa diferente da que a recepção lhe deu.

Como planear a casa de banho de direcção e de visitas em cinco passos: da posição do esgoto ao primeiro visitante

Destinado a donos de obra, arquitectos e gestores de edifícios que projectam ou renovam casas de banho em espaços de escritório. Cinco passos em que as decisões técnicas vêm primeiro e as estéticas por último, para que o resultado cumpra a legislação e mantenha o nível durante dez anos – e possa ser mantido em vez de substituído.

Levante as instalações e os requisitos de acessibilidade antes de alguém abrir um catálogo

Reúna desenhos com a posição dos esgotos, da alimentação de água, da ventilação e do pé-direito, e sobreponha-lhes os requisitos legais da casa de banho acessível: área livre de rotação, distâncias, largura da porta, alturas de montagem, contrastes. Estes dados decidem a maior parte das escolhas que ainda são possíveis depois: um esgoto fixo determina a posição da sanita, a falta de ventilação exige extracção temporizada, um pé-direito baixo exclui móveis e torneiras altos. Decida ao mesmo tempo que divisões são casa de banho de visitas, quais são do director e quais têm de servir as duas funções, porque isso determina arrumação e equipamento – e se é preciso um duche para quem vem de bicicleta.

Defina o papel da divisão e ligue-a aos materiais do escritório

Escolha para cada divisão o que deve sobretudo dar: primeira impressão e robustez na de visitas, conforto diário e arrumação na do director. Encontre depois os dois materiais do resto do escritório – pavimento, madeira, pedra, acabamento metálico – que serão continuados na casa de banho, para que a ligação ao escritório seja visível. Fixe a temperatura de cor da luz em coerência com a recepção e as salas. Esta decisão é a mais vezes saltada, e é a que mais vezes decide se a casa de banho é lida como parte da empresa ou como uma divisão entregue pelo promotor.

Escolha lavatório, torneira, móvel e acessórios como um sistema – e pergunte pelas peças de substituição

Escolha a colecção pela mesma linguagem de projecto e pela mesma família de acabamentos, para que a bica da torneira combine com a forma do lavatório, a profundidade do móvel com a divisão e o acabamento dos puxadores com a torneira. Dê prioridade a acabamentos escovados ou mate, a materiais onde o calcário não se nota e a móveis com núcleo resistente à humidade. Trate os acessórios – sabonete, toalhas ou secador, papel, resíduos – como um sistema e não como cinco peças soltas. Exija ao fabricante, por escrito, as instruções de manutenção e a lista de peças de substituição com prazo de disponibilidade, e confirme que as barras e apoios de acessibilidade existem na mesma série.

Planeie a luz em três camadas e uma ventilação que não se ouça

Preveja uma iluminação geral sem encandeamento, uma iluminação ao espelho que ilumine o rosto de frente ou de lado à altura dos olhos, e uma luz de acento baixa e quente para dar profundidade. Comande a luz por sensor, para que acenda à porta e baixe fora do horário. Dimensione a ventilação para que a divisão fique sem cheiros cinco minutos depois do uso, sem que a extracção se ouça da sala de espera ou da sala ao lado. Verifique a estanquidade acústica e o fecho da porta: uma porta que não fecha à chave num só gesto e sem hesitação estraga a impressão, por mais bonita que a divisão seja.

Teste a divisão com a equipa de limpeza e com três visitantes antes de a pôr em uso

Deixe a equipa de limpeza limpar a divisão três vezes e pergunte o que é difícil de alcançar, onde se acumula a sujidade e o que exige produtos especiais. Corrija enquanto é barato. Deixe depois três pessoas que não conhecem o escritório usar a casa de banho depois de uma reunião normal, e pergunte se encontraram a luz, o fecho, o sabonete e as toalhas sem procurar. Fixe por fim um plano de controlo diário – doseadores cheios, pavimento seco, espelho limpo às oito e às cinco – porque uma casa de banho de visitas é avaliada à hora a que o visitante chega, não à hora a que foi limpa.