Salas de reuniões e boardroom: onde se recebe e se decide
Da sala para dois à sala do conselho de administração: proporções, cadeiras, acústica e ecrã pensados para reuniões portuguesas – mais curtas do que eram, cada vez mais híbridas e ainda avaliadas pelo cliente à entrada.
Em Portugal, a sala de reuniões continua a ser o cartão de visita. É nela que o cliente estrangeiro vê a empresa pela primeira vez, que se assinam os contratos e que a administração recebe o revisor de contas – e por isso muitos escritórios têm uma sala grande e representativa e poucas salas pequenas. O resultado vê-se no sistema de reservas na primeira semana: a sala grande ocupada por uma pessoa em videoconferência, e quatro colegas a acertar pormenores de pé no corredor. Desde que a reunião híbrida passou a ser a norma – com colegas no Porto, em Coimbra ou em casa – cada sala ganhou um terceiro participante: a câmara, que vê a sala de um ângulo em que ninguém pensou ao dispor as cadeiras.
Uma sala projecta-se para o número de pessoas que realmente lá se senta e para a duração que as reuniões realmente têm. Uma mesa para doze numa sala onde em média se sentam cinco dá uma sensação de vazio e uma acústica que devolve cada palavra. Cadeiras confortáveis durante meia hora, mas não durante três horas de reunião de estratégia, custam concentração exactamente nas reuniões que mais importam. O ecrã tem de ficar de modo a que quem está na sala e quem está no ecrã se vejam sem torcer o pescoço, e a forma da mesa tem de seguir o campo de visão da câmara, e não o contrário. As paredes de vidro dão luz e visibilidade, mas precisam de atenuação documentada se o que se diz sobre salários, aquisições ou pessoas tiver de ficar lá dentro. A sala do conselho, onde a administração se reúne poucas vezes por ano, tem de ser outra coisa nos restantes dias – um metro vazio nas Avenidas Novas ou na Boavista tem um custo.
A La Mercanti equipa salas de reuniões e salas de administração com mesas, cadeiras e soluções acústicas italianas escolhidas em relação umas às outras e ao uso real da sala. Diga-nos quantas salas tem, quantas pessoas se sentam nelas habitualmente e quanto duram as reuniões – propomos uma distribuição de salas e uma decoração que mantém a ordem de trabalhos.
Inspirações
Perguntas Frequentes
Quantas salas, e de que dimensão, precisa uma empresa portuguesa com 60 pessoas no escritório?
Mais pequenas do que grandes. A maior parte dos escritórios portugueses tem uma sala representativa para doze e duas salas pequenas, quando devia ser ao contrário: para 60 pessoas, a experiência aponta para quatro a seis salas de duas a quatro pessoas, duas salas de seis a oito e uma sala de doze a catorze que sirva também de sala de administração. O regime híbrido aumenta ainda mais a procura de salas pequenas, porque as videoconferências saem da secretária para trás de uma porta. Antes de desenhar, conte as reuniões durante um mês: participantes na sala, participantes no ecrã, duração e se a sala era grande ou pequena de mais. Os números surpreendem quase sempre no sentido de salas mais pequenas e reuniões mais curtas do que se supunha – e dão uma base melhor do que o número de salas do escritório anterior.
Como escolher a dimensão e a forma da mesa para uma sala usada presencialmente e por videoconferência?
Pela câmara, não pelo catálogo. Numa sala com o ecrã na parede mais curta, a câmara vê uma cunha da sala, e os participantes fora dessa cunha ou de costas desaparecem para quem está em casa. Uma mesa rectangular comprida para doze funciona mal em reuniões híbridas; uma mesa que estreita em direcção ao ecrã, ou uma mesa atravessada com o ecrã na parede comprida, dá a todos um rosto no enquadramento. A dimensão da mesa determina-se pelo número real de participantes, não pelo máximo: uma mesa para oito numa sala onde se sentam cinco dá uma reunião em que as pessoas se vêem. A borda da mesa tem ainda de manter distância à parede, para que se possa passar por trás de um participante sentado sem lhe pedir que se chegue. Parece óbvio e falha em duas de cada três salas de reuniões portuguesas.
O que exige uma sala de administração que uma sala de reuniões corrente não exige?
Reserva, conforto e técnica que não falhe diante dos administradores não executivos e do revisor de contas. As reuniões do conselho de administração nas empresas portuguesas duram habitualmente três a cinco horas, muitas vezes com o revisor e com membros externos à mesa, e as cadeiras têm de ser escolhidas para essa duração: estofadas, com assento regulável em altura e um encosto que não obrigue a estar em sentido. A mesa tem de ter passagem de cabos escondida e tomada em cada lugar, para que portáteis e tablets não disputem a ficha. A acústica tem de garantir que o que se diz sobre estratégia, aquisições ou administração não se acompanha do corredor, o que exige atenuação documentada em paredes e porta, e não apenas um tecto acústico. Por fim, a sala tem de servir para outra coisa entre reuniões, porque uma sala do conselho vazia 340 dias por ano é um metro caro em qualquer cidade portuguesa.
Como obter boa acústica numa sala com paredes de vidro e superfícies duras?
Tratando pelo menos duas das quatro paredes e o tecto com material absorvente e colocando um pavimento que não devolva o som. As paredes de vidro são duras e paralelas, e uma sala com vidro de dois lados e gesso dos outros dois tem uma reverberação que torna as videoconferências cansativas e as reuniões longas esgotantes. Painéis absorventes nas duas paredes de gesso, um tecto acústico com valores documentados e alcatifa ou um pavimento têxtil resolvem a maior parte; cadeiras estofadas e um tampo que não seja de vidro resolvem o resto. A reserva é outra questão: depende da estanquidade da parede de vidro e da porta, que tem de ser especificada e documentada na compra. Uma sala pode ter boa acústica por dentro e deixar passar cada palavra para o corredor, e vice-versa. As duas coisas planeiam-se, e nenhuma se salva com uma alcatifa posta depois.
Onde colocar o ecrã e a câmara numa sala híbrida, e qual é o erro mais frequente?
O ecrã à altura dos olhos dos participantes sentados, na parede que dá à câmara a visão mais ampla da mesa, com a câmara imediatamente abaixo ou acima do centro do ecrã, para que quem olha para o ecrã olhe também para a câmara. O erro mais frequente é o ecrã demasiado alto, porque foi montado depois da mesa: os participantes olham para cima e parecem ausentes para quem está em casa. O segundo é a janela em fundo, que num dia de sol transforma toda a gente na sala em silhuetas – em Portugal, quase todos os dias. A mesa dispõe-se de modo a que ninguém fique de costas para a câmara, e o microfone e a coluna ficam por cima da mesa ou sobre ela, não no ecrã, em salas com mais de cinco metros. Um ecrã pequeno ao lado do grande, com a lista de participantes, torna a reunião mais justa para quem se liga de Faro. Tudo isto se planeia no desenho, porque mudar um ecrã depois de os cabos estarem passados é caro.
A sala grande pode ter outros usos sem perder o carácter de sala de administração?
Pode e deve, se o escritório estiver numa cidade onde o metro quadrado tem preço. Uma sala para doze a catorze pode ser equipada com uma mesa modular que se divide em duas ou três, cadeiras leves empilháveis e um ecrã e um quadro que funcionam em qualquer disposição. Assim, a sala serve para workshops, apresentações a clientes e reuniões gerais quando a administração não se reúne. A condição é que a mudança seja feita por uma pessoa em menos de dez minutos e que a sala fique depois com ar de sala de administração e não de sala de aulas arrumada. Isso exige que mesa e cadeiras tenham sido escolhidas desde o início para os dois papéis, e que a arrumação das cadeiras e dos módulos a mais esteja desenhada na sala ou ao lado. Sem essa arrumação, a flexibilidade transforma-se em desordem num trimestre.
Como equipar salas de reuniões e sala de administração em cinco passos: da estatística das reuniões à primeira videoconferência
Para gestores de instalações, responsáveis de informática e arquitectos que planeiam as salas de uma empresa. Cinco passos que começam por como as reuniões acontecem de facto e acabam com salas prontas no momento em que a reunião começa – mesmo quando metade dos participantes está noutra cidade.
Conte as reuniões durante um mês antes de desenhar uma única sala
Extraia os dados do sistema de reservas de um mês e complete-os com uma contagem simples: participantes na sala, participantes no ecrã, duração e se a sala era grande ou pequena de mais. Some em três grupos – duas a quatro, seis a oito, mais de dez pessoas – e veja onde está de facto a procura. Na maior parte das empresas portuguesas, os números mostram excesso de salas grandes usadas por poucos e falta de salas pequenas para acertos rápidos e videoconferências. A distribuição das salas decide-se com base nessa estatística, não com base no número de salas do escritório antigo.
Fixe o nível de reserva e a acústica de cada sala
Decida para cada sala o que tem de se poder dizer lá dentro sem ser ouvido fora: tudo, quase tudo ou apenas o corrente. Traduza isso em requisitos para a parede de vidro, a porta e os vedantes, e exija ao fornecedor valores numéricos, não descrições. Planeie ao mesmo tempo a acústica interior: superfícies absorventes em pelo menos duas paredes, tecto com valores documentados, pavimento que não devolva o som. A sala de administração e as salas para conversas de pessoal ficam no nível mais alto; as salas telefónicas pequenas no segundo, porque é nelas que as conversas privadas realmente acontecem.
Coloque o ecrã e a câmara e disponha a mesa em função deles
Desenhe primeiro o lugar do ecrã: à altura dos olhos, na parede que dá à câmara a visão mais ampla, com a câmara ao centro do ecrã e sem janela em fundo. Disponha depois a mesa de modo a que todos os lugares fiquem dentro do campo da câmara e virados para ela – em salas compridas, isso significa muitas vezes uma mesa atravessada ou uma mesa que estreita para o ecrã. Passe electricidade, rede e cabo do ecrã escondidos até à mesa desde o primeiro dia, e coloque microfone e coluna por cima da mesa ou sobre ela em salas com mais de cinco metros. Teste com uma ligação de ensaio a partir de um portátil antes de alguém furar.
Escolha a mesa e as cadeiras pela ocupação real e pela duração real
A dimensão da mesa define-se pelo número habitual de participantes, não pelo máximo, com pelo menos 90 centímetros de passagem atrás de cada lugar. As cadeiras escolhem-se pela duração das reuniões: leves e empilháveis para reuniões curtas em salas pequenas; estofadas, com altura regulável e bom encosto, para a sala de administração e a sala de formação, onde as reuniões duram horas. O tampo tem de aguentar portáteis, café e cotovelos e não deve ser de vidro se a acústica tiver de se manter. Escolha passa-cabos e tomadas em cada lugar e repita um dos materiais da recepção no tampo ou nas cadeiras, para que as salas pertençam ao escritório.
Deixe a sala pronta a usar e teste-a com uma reunião híbrida verdadeira
Antes de a sala entrar no sistema de reservas, faça uma reunião híbrida verdadeira de 45 minutos, com participantes na sala e em casa. Verifique três coisas: se toda a gente na sala se via no ecrã, se toda a gente em casa ouvia toda a gente na sala, e se passou menos de um minuto entre sentar e começar. Corrija o que falhou antes da primeira reserva. Deixe na sala uma instrução curta numa só folha, reserve um lugar fixo para as cadeiras a mais e combine quem arruma a mesa no fim. Uma sala pronta no momento em que a reunião começa poupa cinco minutos por reunião; com vinte reuniões por dia, são quase duas horas todos os dias.